Quando transferimos para o outro o que é nosso.

Um dos assuntos que mais gosto de defender é o quanto a psicanálise pode e contribui para o desenvolvimento das empresas.

Engana-se quem acha que a teoria criada por Freud aplica-se somente ao contexto clínico, pelo contrário, existem muitos processos inconscientes nas organizações e a compreensão deles, ajudam no desenvolvimento do negócio e na gestão efetiva das pessoas.

Em uma determinada ocasião precisei elaborar para o Programa de Líderes do Varejo, um treinamento sobre a formação e o desenvolvimento de equipes efetivas (engajadas e voltadas para resultados). A estratégia era tomar por base o autoconhecimento para a partir disso, refletir sobre a construção dessa equipe.

Portanto, pedi aos participantes que em uma folha de sulfite desenhassem um “candidato ideal”, aquele que eles gostariam de ter em suas equipes e escrevessem no verso da folha as suas características e a sua história. Concluído este desenho, os participantes tínham que apresentar esse candidato.

A segunda etapa foi a repetição do exercício, porém em um contexto diferente. Eles precisavam desenhar a si mesmos e escrever a sua história, características e o seu modelo de trabalho.

O mais divertido em toda a dinâmica foi que quando comparamos os desenhos e as histórias dos candidatos ideias x líderes, eles tinham muita similaridade.

E Freud explica muito bem isso!

Primeiro, porque selecionamos os nossos relacionamentos por meio da identificação e quando menos esperamos, transferimos contra-transferimos à eles as nossas questões.

E tratando-se de transferência, Freud diz que elas:

são reedições, reduções das reações e fantasias que, durante o avanço da análise, costumam despertar-se e tornar-se conscientes, mas com a característica de substituir uma pessoa anterior pela pessoa do médico. Dito de outra maneira: toda uma série de experiências psíquicas prévias é revivida, não como algo do passado, mas como um vínculo atual com a pessoa do médico. Algumas são simples reimpressões, reedições inalteradas. Outras se fazem com mais arte: passam por uma moderação do seu conteúdo, uma sublimação. São, por tanto, edições revistas, e não mais reimpressões. (FREUD, 1969. v. 7, p. 109-19)

E,

ela abrange atitudes positivas (de afeição), bem como atitudes negativas (hostis) para com o analista que, via de regra, é colocado no lugar de um ou outro dos pais do paciente, de seu pai ou de sua mãe. (Freud, 1940/1980, p. 202, gr. do autor)

Ou seja, em sua grande maioria sempre vamos em busca do nosso semelhante ou pelo menos de um outro de alguma história que já vivemos (pai, amor, ideal e etc.). Sempre vamos atrás de um paramêtro que definimos para nós mesmos e muitas das vezes transferimos ao liderado este ideal.

E ter conhecimento deste processo é essencial para a formação de uma equipe efetiva, pois mais do que a compreensão dos processos conscientes e inconscientes da cultura, é preciso que o líder conheça as suas próprias questões, para que este não transifra ao outro uma responsabilidade que é sua.

Darei continuidade neste estudo com novos artigos.

Fiquem ligados!

Um comentário sobre “Quando transferimos para o outro o que é nosso.

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