Tudo é uma questão de consciência e escolha

Talvez nos perguntamos e com certa frequência, por que nos permitimos viver determinadas situações em nossas vidas.

São relacionamentos que não necessariamente são abusivos, mas que não nos trazem a determinada realização e prazer que buscamos. Carreiras que já não nos completam mais, mas que racionalizamos porque “temos contas pra pagar” ou até mesmo profissões que nos dedicamos em estudar e se especializar, mas ali estamos nós, insatisfeitos e incompletos.

Entretanto, as perguntas que faço toda vez que me deparo com tal situação são “qual a real expectiva que tinha ou tenho sobre isso? o que eu esperava que acontecesse nessa experiência?”

Nos parece talvez besta ou simples demais esses questionamentos, mas a bem da verdade é que quando nos permitimos se perguntar e se conectar com este sentimento, fazemos o exercício de olhar pra dentro, de buscar autoconhecimento e de tentar trazer a consciência aquilo que está por traz dessa angústia.

No livro Compreender Freud (2007), o autor traz uma reflexão ao se referir a repetição e a fantasia que cabe perfeitamente ao que desejo trazer como discussão neste artigo.

Ele escreve:

Não somos objetos de nossas fantasias, somos os sujeitos que organizam as próprias fantasias. Em outras palavras, a situação em que me encontro é a situação na qual eu me coloco. A situação que construo em minha fantasia é aquilo a qual quero chegar. (Jacques Sedat; 2007; p. 124)

Se tratando da fantasia, Freud vai chamá-la de “fachadas psíquicas” que são construídas com o principal objetivo de obstruir o caminho às lembranças infantis, ou seja, são essas fantasias que “designam a vida imaginária do sujeito e a maneira como este representa para si mesmo sua história ou a história de suas origens: fala-se então de fantasia originária”. (ROUDINESCO, Elisabeth; PLON, Michel. Dicionário de psicanálise. p 223).

Ao longo da nossa formação como indivíduo, desde à nossa infância até a vida adulta, internalizamos valores, regras, crenças, padrões e expectativas dos outros (principalmente do pai, mãe e dos cuidadores) que vão formando em nós esse Ideal de Eu.

O que eu desejo ser nem sempre está ligado ao meu desejo enquanto sujeito e sim ao que o outro quer que eu seja. E a fantasia está aí como um processo do psiquismos para interpretar a partir de cada singularidade tais experiências.

Desta forma, encontrar o próprio caminho não é uma tarefa fácil porque esse processo diz respeito ao tomar consciência das suas próprias questões, assumir a responsabilidade e entender que a tua história de vida influenciou e influencia a busca por tais repetições, mas é seu desafio recordá-las e elaborá-las.

Outro ponto importante é que se “somos sujeitos que organizam as próprias fantasias”, somos responsáveis por tentar entender o que elas representam e pela situação que nos encontramos, ou seja, não dá para nos escondermos atrás delas, utilizando-as como escudo para tudo que temos que lidar no dia-a-dia.

É claro que a fantasia também tem um papel relevante na nossa personalidade, pois ela ajuda a entender o que se passa ao seu redor, bem como expressar as suas preocupações através dos personagens que escolhemos e das histórias que criamos.

A história da humanidade é marcada por fantasias e realidades. Disney, Marvel, DC e tantos outros desenhos e heróis representam angústias e limitações humanas.

No entanto, como é que tu tem organizado as suas fantasias? O que elas vem tentando obstruir ou representam?

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