Quanto mais as coisas mudam, mas se parecem a si mesmas

A primeira vez que li essa frase tentei encontrar uma lógica e compreensão para ela, mesmo parecendo óbvio o que se quer dizer. Sempre me perguntava por que a palavra mudança aparece nesse contexto, tendo em vista que estamos nos tratando de uma repetição.

Principalmente porque entendemos mudança como algo novo e a própria definição no dicionário nos remete a isso, “alteração ou modificação do estado normal de algo”.

Entretando, por que quanto mais se muda, mas as coisas se parecem consigo mesmas?

Winnicott em sua obra ressalta a importância do desenvolvimento psíquico do indivíduo e do amadurecimento. É por meio das primeiras relações com a mãe e com o ambiente que a criança vai se desenvolvendo e consequentemente se apercebendo e percebendo o mundo a sua volta.

É essa apercepção, consciência dos seus estados internos e representações, que permite a pessoa compreender seu próprio psiquismo.

Entretanto, parece que a medida que vamos crescendo e assumindo papéis sociais, somos envolvidos por uma série de padrões e construções que devemos seguir, o que toma grande parte do nosso tempo e vida.

Kübler-Ross (1981, p 21) em seu livro Sobre a morte e o morrer escreve que

“vivemos numa sociedade onde predomina o homem da massa, em detrimento do homem como indivíduo”.

Isso foi escrito no ano de 1981, imagina se ela vivesse nos dias atuais?

No mundo contemporâneo a mulher e o homem da massa é conectado, dinâmico, cheios de responsabilidades, tem vários papéis sociais e despende grande parte do seu tempo neles.

Quase não se dedica ao autoconhecimento ou ao que lhe faz feliz e arrisco-me até em dizer que uma boa parcela das pessoas não tem clareza se o seu estilo de vida de fato é o que lhe satisfaz.

Considerando isso, mesmo que tudo mude, estamos ali a repetir a busca pela primeira experiência, pelo desconhecido e não integrado.

Poderia aqui citar vários exemplos da nossa história, falar sobre as expectativas e os desejos que temos nas viradas de ano, a mudança de emprego, a idealização do novo chefe, um novo relacionamento… as possibilidades são gigantes.

Mas por que dessa repetição?

Porque não nos APERCEBEMOS! Não nos permitimos parar, respirar fundo e investir em um processo psicoterapêutico que nos ajudará a encontrar essas respostas.

Essa habilidade que é tão importante na vida e pode ser entendida como autoconhecimento, inteligência emocional ou qualquer outro nome que dermos, é essencial para a preservação do indivíduo, principalmente com todas essas mudanças culturais e sociais.

E a busca dessa apercepção deve ser um investimento para quem quer ser um bom líder, profissional, pai, mãe, filho(a), marido, esposa, mas principalmente HUMANO.

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SOBRE O AUTOR

Rodrigo Alves é Psicólogo, pós-graduado em Gestão Estratégica de Pessoas com especialização em Mercado e Negócios de Luxo, Rodrigo buscou compreender os significados ocultos do consumo e as relações de poder nas organizações, tendo publicado um artigo que posteriormente virou capítulo de um livro sobre as contribuições da psicanálise para a análise da cultura e relações de poder dentro das organizações.

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