Vivemos em uma era onde a aparência frequentemente sobrepõe-se à essência. A busca incessante por status e validação externa pode nos afastar de nossa verdadeira identidade, levando-nos a questionar: é mais importante ser ou fazer?
O monge budista Haemin Sunim, em seu livro “As Coisas Que Você Só Vê Quando Desacelera”, provoca uma reflexão ao questionar: “Qual é o sentido de alguém andar por aí com uma bolsa de alta costura quando falta o mesmo refinamento ao seu comportamento?” Essa indagação nos leva a considerar a discrepância entre nossa aparência externa e nossa autenticidade interna.
O Winnicott introduziu os conceitos de “self verdadeiro” e “self falso” para descrever essa dualidade. O self verdadeiro representa nossa essência genuína, enquanto o self falso é uma máscara que adotamos para atender às expectativas externas. Quando nos desconectamos de nosso self verdadeiro, corremos o risco de viver uma vida que não nos pertence, resultando em insatisfação e desarmonia interna.
Em o Brincar e a Realidade, ele destaca que:
“O self verdadeiro é aquele que se desenvolve a partir das experiências espontâneas do bebê e da capacidade dos pais de oferecerem um ambiente suficientemente bom para que ele se sinta aceito e compreendido. Já o self falso surge como uma defesa, uma forma de adaptação às exigências do ambiente, mas que pode levar a um afastamento da autenticidade e da própria essência do indivíduo.”
A sociedade contemporânea valoriza o “fazer” — as conquistas, os títulos, as posses — muitas vezes em detrimento do “ser”. Essa inversão de valores pode nos levar a negligenciar nossa autenticidade em prol de uma imagem que julgamos mais aceitável ou admirável. No entanto, essa busca por validação externa pode nos afastar de nossa verdadeira essência, comprometendo nosso bem-estar emocional.
A autenticidade é fundamental para a saúde mental. Quando alinhamos nossas ações com nosso self verdadeiro, experimentamos uma sensação de coesão interna e satisfação pessoal. Por outro lado, viver de acordo com um self falso pode levar a sentimentos de vazio e alienação.
Portanto, é crucial refletir sobre nossas motivações: estamos agindo de acordo com nossa verdadeira essência ou apenas desempenhando papéis para atender às expectativas alheias? Ao priorizar o “ser” sobre o “fazer”, cultivamos uma vida mais autêntica e significativa, onde nossas ações refletem quem realmente somos, e não apenas o que desejamos aparentar.
Como bem disse Talita Galhardo: “Chique é ser do BEM! Maquiagem não esconde falsidade e boas roupas não corrigem falta de caráter. Chique mesmo é saber apreciar o que é simples e não se achar superior a ninguém. Prepotência e arrogância definitivamente não têm glamour!”
Em última análise, a verdadeira elegância reside na autenticidade. Ao abraçarmos quem realmente somos, encontramos a verdadeira satisfação e construímos uma vida alinhada com nossos valores e desejos mais profundos.

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