Recentemente, dois acontecimentos trouxeram à tona a influência do corporativismo e da política nas organizações sobre a expressão de talentos individuais. O primeiro exemplo envolve a criação do uniforme olímpico brasileiro pela Riachuelo. A empresa afirmou que + de 500 pessoas participaram do projeto, mas o resultado final gerou críticas por sua simplicidade e falta de representatividade, levantando questões sobre como decisões criativas são tomadas em grandes corporações.
Esse caso é ilustrativo de uma dinâmica comum em muitas organizações, onde a necessidade de conformidade e de aderência ao modus operandi pode suprimir ideias inovadoras. Quando um grande número de pessoas está envolvido em um projeto, é fácil que as vozes críticas ou criativas sejam abafadas em favor de uma decisão que represente um “consenso seguro”. Isso não apenas limita a inovação, mas também impede que a diversidade de ideias contribua para resultados mais ricos e variados. A política e o corporativismo dentro das empresas podem, portanto, atuar como uma força que domestica talentos, obrigando-os a se conformarem com padrões estabelecidos.
De uma certa forma, ela atua forçando o talento a caber em uma caixa que pode não ser ela a que promoverá o crescimento do negócio.
Um segundo exemplo desse fenômeno pode ser observado na carreira política de Kamala Harris durante a administração de Joe Biden. A escolha de Harris como vice-presidente foi amplamente celebrada com certa expectativa, tendo em vista que ela, uma mulher negra e de origem imigrante em um dos cargos mais altos dos Estados Unidos. No entanto, durante o mandato, sua visibilidade foi surpreendentemente limitada, com poucos relatos sobre suas iniciativas ou contribuições. Isso sugere que, mesmo em posições de alto nível, o espaço para ação e expressão pode ser restringido por uma cultura de centralização de poder e de prevalência da palavra do líder principal, neste caso, o presidente Biden.
O mais impressionante é a força que o nome Kamala tem e trouxe aos Democratas na primeira semana de anúncio da candidatura. Como o partido não viu isso antes?
Esses dois exemplos, aparentemente desconectados, ilustram uma verdade mais ampla sobre o funcionamento de grandes organizações e governos: o potencial de indivíduos pode ser subutilizado ou ignorado devido a estruturas de poder centralizadas e políticas que são maiores que os talentos, o trabalho e o desempenho. Dado esse cenário, o desafio é encontrar o equilíbrio entre a necessidade de processos e regras e a capacidade de promover um ambiente de autonomia onde a inovação e a expressão individual possam florescer.
E as lideranças tem um papel fundamental nisso, pois elas são a corporificação da cultura da empresa, a forma como está gerencia os seus liderados fala muito sobre a personalidade da organização, a sua história e as suas prioridades.
A questão, então, é como as organizações podem permitir que seus colaboradores expressem o máximo de seu potencial dentro de um ambiente que, por necessidade, inclui processos e responsabilidades? Penso que o caminho não está em abandonar a estrutura, mas em flexibilizá-la o suficiente para que a diversidade de ideias possa ser explorada.
As empresas e instituições devem se esforçar para criar uma cultura que não apenas tolere, mas ativamente encoraje a inovação e a expressão individual. Sendo crucial que os líderes tenham a maturidade para ouvir e valorizar diferentes perspectivas, em vez de impor uma visão única ou predefinida.
Tanto o caso da Riachuelo quanto a situação de Kamala Harris destacam o impacto do corporativismo e da política sobre a visibilidade e a utilização de talentos. Para que organizações realmente prosperem, é essencial que adotem uma abordagem que valorize a autonomia, promovendo um ambiente onde todos possam contribuir de maneira significativa, direcionada e criativa.
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