Com o crescimento populacional e os desafios relacionados à renda, alimentação, emprego, questões sociais, segurança pública e de direitos humanos, a violência muitas vezes é vista como uma “solução” por uma parte da população, tornando-se um grande problema que não se restringe a classes ou condições sociais específicas.
Embora, não nos vivamos em períodos frequentes de guerra em grande escala, os indicadores de violência no Brasil e no mundo frequentemente nos surpreendem, mostrando uma realidade de violência quase diária e persistente.
Embora haja um rompimento momentâneo ao observar uma queda no número de assassinatos no país em 2022, é importante ressaltar que ainda há muito a ser feito e que a população brasileira continua a viver com um alto grau de medo em relação à violência. De acordo com o Índice Global de Paz de 2021, o Brasil é classificado como o país onde a população tem o maior medo de ser vítima de um crime violento, com quase 83% dos brasileiros expressando esse medo.
Em comparação com outros países sul-americanos como o Chile (49º), Equador (88º) e até mesmo a Bolívia (105º), o Brasil ocupa a posição de número 128 no ranking de violência, de acordo com o estudo referencial. Esses dados destacam a necessidade de abordar de forma eficaz as questões de segurança e violência no país para garantir um ambiente mais seguro e pacífico para todos os cidadãos.
“O Brasil é o terceiro país menos pacífico na América do Sul de acordo com nosso índice [na frente apenas da Venezuela e da Colômbia] e identificamos no último ano uma deterioração nos níveis dos conflitos internos e da instabilidade política”.
É evidente que nossa sociedade continua enfrentando altos níveis de violência. Embora os números possam sugerir uma diminuição, a realidade é que a violência sempre fez parte do nosso cotidiano e, ao longo dos anos, tem evoluído para outras formas, como a física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.
Ao analisarmos mais detalhadamente os indicadores com base nesses diferentes aspectos, percebemos um aumento significativo da violência psicológica, moral e patrimonial. Quem nunca ouviu um relato sobre esses tipos de violência?
Em “Reflexões para os tempos de guerra e morte” (FREUD, 1974[1915]), Freud aborda…
A própria ênfase dada ao mandamento “Não matarás” nos assegura que brotamos de uma série interminável de gerações de assassinos, que tinham a sede de matar em seu sangue, como, talvez, nós próprios tenhamos hoje. Os esforços éticos da humanidade, cuja força e significância não precisamos absolutamente depreciar, foram adquiridos no curso da história do homem; desde então se tornaram, embora infelizmente apenas em grau variável, o patrimônio herdado pelos homens contemporâneos.
(FREUD, 1974[1915], p. 335)
Nesse sentido,
nos parece justificado apontar o fato de a violência poder eclodir como um gozo sem mediação, que, no excesso, busca a aniquilação do outro e o rompimento dos laços sociais. Como sustenta Freud, ao dizer que a violência é a antítese da civilização. (FREUD, 1974[1929-1930])
(JÚNIOR, J; BESSET, V; 2010)
Parece que a violência está intrinsecamente ligada ao INDIVÍDUO, indo além do mero comportamento violento em si. Enquanto a violência é definida como “ação ou efeito de empregar força física ou intimidação moral contra; ato violento” (dicionário).
De acordo com o Dicionário Contemporâneo de Psicanálise de Zimerman (2001), “a agressividade, por sua vez, tal como revela sua etimologia (ad + gradior), representa um movimento (gradior) para a frente (ad), uma saudável forma de proteger-se contra os predadores externos, além de também indicar uma ambição sadia com metas possíveis de alcançar. Em resumo, na agressão predomina a pulsão de morte, enquanto na agressividade prevalece a pulsão de vida.” Ou seja, se a agressividade é vista como pulsão de vida na psicanálise, por que a consideramos como um fator negativo?
Nos parece que o comportamento violento é o resultado da interação entre o impulso e a escolha de permitir a forma com que ele se manifeste. Ou seja, mais uma vez e temos informações suficientes para perceber que o indivíduo é quem decide como canaliza, ou melhor, sublima a sua “agressividade”.
Continuamos a reflexão em outro artigo…

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