O bom senso que lhe falta

Ouvi essa semana “se tem uma coisa que eu digo que você sempre deve pedir ao universo, é o bom senso. Tudo pode faltar, menos ele.”

Além de ser uma frase muito interessante, se compararmos aos últimos acontecimentos e anos, me parece que ela é mais do que real. Independentemente a Quem você peça – Deus, Universo, Guia etc -, esse pedido constante é mais que fundamental!

Isso porque parece que nos momentos mais adversos da vida paramos de olhar o coletivo. É como se falássemos que o direito de ir e vir é só “meu”, como se o outro também o não tivesse.

Entretanto, não podemos esquecer que somos seres sociais, que vivemos através do coletivo e que precisamos da interação com esse meio para continuar o nosso processo de evolução neste mundo. Também é nessa relação que aprendemos o que fazer e o que não fazer, nos desenvolvemos, melhoramos como seres humanos, entendemos o que não é legal e consequentemente, reforçamos em nós o que temos como valores para a nossa vida.

O grande problema é que se não tomarmos cuidado, temos uma forte tendência, quase que como instinto de sobrevivência, a apresentar mais comportamentos individualistas, do que preocupados com o coletivo. No trabalho, apesar de se falar constantemente da necessidade de colaboração, quando um projeto é entregue, não podemos ignorar que no fundo queremos aquele belo PARABÉNS individual, “afinal todos contribuíram, mas eu tive um papel fundamental”.

Acredito sim na relevância de se elogiar em público, agradecer e pontuar características positivas de uma pessoa, mas a bem da verdade é que fazemos isso, porque também queremos que o façam conosco. Queremos que reforcem o nosso ego, o nosso valor, a nossa importância, o nosso papel nesse jogo da vida… queremos sentir que somos aceitos e amados! E isso acontece de formas diferentes, pois cada ser humano é único.

Para você que se gaba em dizer que vive bem sem a aceitação das pessoas e que o parágrafo anterior não se aplica a sua vida, sejamos verdadeiros(as), se aplica sim. Todos precisamos, muito ou pouco, todos somos obras do meio e queremos fazer parte disso.

E tudo isso por causa do nosso ego, da nossa vaidade, do nosso desejo de demonstrar relevância e importância social (e não estou falando de dinheiro).

É exatamente por causa deste ponto que o bom senso de alguns vai por água abaixo. Sabe aquele negócio de ser o bom da festa, de disputar o som alto da caixa de som na praia, de querer ser o(a) queridinho(a) no trabalho, os/as donos/donas da verdade na faculdade, de querer ser o(a) vizinho(a) notado(a), de agradar o chefe para ganhar relevância e poder sobre o time? Isso acontece todos os dias.

Pegamos o elevador com os inconvenientes, trabalhamos com eles, fazemos compras no supermercado, cruzamos em restaurantes… Eles/elas estão por todos os lados. E as vezes da aquela bela vontade de falar “amigo(a) menos, dá uma segurada!”. Porém, como somos seres evoluídos, seguramos a língua e convidamos um(a) profissional do estabelecimento para que faça isso.

Triste? Sim, porém é a verdade.

Um conceito que vale resgatar aqui e que deveria ser de conhecimento público, além de ensinado desde a infância, é o de CIVILIDADE. Ele que se resume a “observação das conveniências, das boas maneiras em sociedade; cortesia, urbanidade, polidez” diz muito sobre coisas que precisamos diariamente fortalecer em nosso comportamento. Cada ambiente tem normas estabelecidas conscientemente e aqueles que não tem, mas que são de uso público, estão alinhadas com o bem coletivo.

É difícil viver em um mundo em que você espera o BOM SENSO das pessoas para tornar a convivência mais agradável, mas todos em algum momento já erraram a mão e temos que ser humildes para reconhecer isso. Você pode não ser do tipo que leva a caixa de som para a praia ou que tenta tirar vantagem de tudo, mas como não somos seres perfeitos, pode ter certeza, em alguma ocasião você já deixou de usá-lo.

Então, não dá essa brecha… comece a gastar o tempo que você tem para se policiar melhor, entender que errar faz parte do jogo, mas que evoluir é o maior sinal de humanidade que uma pessoa pode ter.

Deixe um comentário

SOBRE O AUTOR

Rodrigo Alves é Psicólogo, pós-graduado em Gestão Estratégica de Pessoas com especialização em Mercado e Negócios de Luxo, Rodrigo buscou compreender os significados ocultos do consumo e as relações de poder nas organizações, tendo publicado um artigo que posteriormente virou capítulo de um livro sobre as contribuições da psicanálise para a análise da cultura e relações de poder dentro das organizações.

Quer saber mais sobre? Clique aqui.