Comigo não morreu!!!

Por mais tempo que se dediquem em falar sobre papéis e responsabilidades, sejam eles no âmbito organizacional ou social, parece que os “caça às bruxas” ainda permanecem forte dentro de uma cultura.

É impressionante como a mentalidade de foco no problema e não na solução ainda é muito forte em nosso país, mesmo existindo várias metodologias ágeis para a aprendizagem, gestão de entregas e resolução de problemas.

A fim de conhecimento, a caça às bruxas foi um movimento de perseguição religiosa e social entre os séculos XV e XVIII que por meio da sua crença em que tais práticas eram bruxaria, sacrificaram muitas pessoas sendo em sua maioria mulheres.

Dado este contexto histórico, o termo, principalmente no senso comum, é utilizado ao referir-se a qualquer investigação que tem como o objetivo encontrar possíveis culpados para problemas existentes.

É claro que a história é muito mais complexa e não se resume a um pequeno parágrafo, mas quero me apropriar de dois elementos que chamaram a minha atenção ao pesquisar sobre o assunto.

O primeiro elemento diz respeito ao fator CRENÇA, o que tem tudo a ver com um ideal.

Com base no dicionário esta palavra significa “pensamento que se acredita ser verdadeiro ou seguro; certeza, confiança, segurança.”

Se observarmos claramente, as pessoas acreditavam que o que estavam fazendo era correto, isso porque existia um pensamento de que aquele comportamento, ou seja, a “prática da bruxaria” era errado aos olhos da sociedade, da religião e de “Deus”, desta forma, eliminá-lo era quase um sinônimo de ser aceito pelo divino.

E o inverso também é verdadeiro, o comportamento praticado pelo tal “bruxa” também estava baseado no que eles tinham como crenças e arrisco-me em dizer que se tratavam de uma forma de manifestar o seu desejo.

Nos parece que isso acontece nos dias atuais, só damos outra forma de manifestar esse mesmo comportamento. Frequentemente “caçamos às bruxas” nas nossas vidas e muitas das vezes transferimos para o outro um problema e tomada de decisão que é único e exclusivamente nosso.

As “bruxas” eram culpadas das mazelas do vilarejo e porque elas praticavam a bruxaria, a cidade era punida ou elas eram acusadas de causar as próprias punições, trazendo maldições para a comunidade. De qualquer modo, a culpa sempre era delas!

Não estou aqui julgando se a história é verídica ou uma lenda, mas acho importante olhar o simbolismo que nela existe para refletir sobre comportamentos individuais e do grupo dentro de um contexto social.

É claro que o fator crença ou até mesmo desejo não é ruim sendo nós quem definimos que comportamentos resultarão delas. Quer exemplos?

Começamos por política!

Pensamos política como ideologia e pouco nos perguntamos como cada uma delas pode contribuir para o desenvolvimento do país, bem como pouco dedicamos os nossos esforços para encontrar um ponto de equilíbrio onde todos possam contribuir para o desenvolvimento da sociedade. Pelo contrário, a maioria das discussões são “meu partido é melhor”, “fora comunismo”, “fora direita”… e tantos outros.

O problema é que diante desse ideal/crença, nos parece que frequentemente nos fazemos as perguntas erradas. Digo isso, pois ao se referir sobre o comportamento anti-social e deliquente em Privação e Deliquência, Winnicott os descrevem+ como “algo bom que foi positivo na experiência da criança até certa data, e que foi retirado; a retirada estendeu-se por um período maior do que aquele em que a criança pode manter viva a lembrança da experiência.” (1987, p.140) Desta forma, o comportamento se torna uma forma de requer aquilo que foi perdido.

Se levarmos em consideração essa fala e partir do princípio que o comportamento anti-social e delinquente daquela época, além de outros, também era a bruxaria, e compará-la a maioria das vítimas que são mulheres, quantas coisas não lhe foram tiradas ou melhor, não foram dadas na história da humanidade?

É claro que a sociedade evoluiu e a mulheres passou a ter mais espaço na sociedade, não porque existiram guerras, mas sim cabeças diferentes dispostas a respeitar a cultura do outro, bem como negociar para o bem do desenvolvimento da civilização.

E esse é o desafio de trabalhar cultura e cultura de diversidade, principalmente nas organizações, pois não tem só a ver com cor da pele, religião ou sexualidade, tem a ver com respeito, diálogo, colaboração e propósito, sendo isso responsabilidade de todos.

Portanto, assuma a responsabilidade de abrir a mente, de assumir o seu papel dentro do grupo, de como líder melhorar as relações, de promover o desenvolvimento e de eliminar comportamentos de caças as bruxas/problemas.

Erros teremos em todos lugares, para isso existem processos, políticas e treinamentos que somados ao bom trabalho do líder, pode desenvolver uma equipe madura e coesa.

Ah… aproveitando a deixa, observem o comportamento do seu grupo e se ele foge do esperado, temos duas explicações: ou a contratação foi errada ou “algo foi tirado” dele e esse manifesto é um jeito de tentar recuperá-lo.

Pense nisso!

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