Ser um homem, uma mulher e um adulto é aceitar a responsabilidade.

Quem me conhece sabe o quanto sou apaixonado pela Psicanálise, principalmente por ela ter a preocupação em investigar os processos inconscientes decorrentes da nossa infância.

Freud, por meio dos seus estudos clínicos, acreditava que o aparelho psíquico era dotado de certo determinismo e que todos os eventos mentais eram precedidos por eventos anteriores. Ou seja, a forma como reagimos e lidamos com as situações no presente, principalmente as relacionais, eram carregadas de conteúdos recalcados em nosso psiquismo.

Isso de certa forma explica a nossa necessidade de reviver experiências e embora o curso da nossa vida seja marcado por repetições e continuidade, é também extremamente aberto a mudanças.

Pois sim, é verdade que enquanto vivemos podemos repetir sem cessar os padrões estabelecidos na infância e também é verdade que o presente é moldado pelo passado. Entretanto, na medida em que vamos CRESCENDO ganhamos certa autonomia e condições para tomar as nossas próprias decisões.

Judith Viorst (2005) escreve em seu livro, Perdas necessárias, o CRESCER como o:

“Adquirir sabedoria e a habilidade para conseguir o que se deseja, dentro dos limites impostos pela realidade – uma realidade que consiste em poderes diminuídos, liberdades restritas e, com pessoas amadas, conexões imperfeitas.”

E é exatamente aí que está a grande responsabilidade em ser adulto.

Como crianças, determinados comportamentos são aceitos e toleramos muitas coisas que elas fazem, principalmente porque entendemos que é um processo de desenvolvimento, que é uma fase. Como pais, corrigimos, mas não somos tão duros quanto à vida é com um adulto.

O próprio brincar também muda de tom.

Ser um super-herói ou brincar de luta na fase adulta pode ser encarado como violência ou até imaturidade, se não tiver dentro de uma prática esportiva. Já na infância, a depender da forma como isso acontece, pode ser encarado como fantasia e divertimento.

A realidade é outra. Na infância somos governados pela fantasia e não somos “punidos” socialmente por permiti-la vir à tona. Na vida adulta a realidade diminui os nossos poderes e nos traz responsabilidades e papéis a serem cumpridos.

Já tínhamos o papel de filhos(as) e na medida que vamos crescendo incorporamos a nossa vida os de cidadãos, profissionais, gestores, esposas, maridos, pais e demais funções que vamos nos permitindo neste percurso. Com base nisso, vamos percebendo que boa parte dos nossos sonhos de infância não podem ser concluídos como imaginávamos.

Winnicott (1956) dirá que “a verdadeira neurose não é necessariamente uma doença”, mas que “devemos pensar nela como uma demonstração de respeito ao fato de que a vida é difícil.”

Contudo, apesar de todas as dificuldades que a vida nos apresenta no dia-a-dia, é responsabilidade nossa o crescer, amadurecer e entender que na melhor das hipóteses viver é um sonho sob controle (social e individual) e que cabe a cada um de nós encontrar o nosso próprio caminho da felicidade, seja na carreira ou na vida pessoal.

“O princípio é que é o paciente (o indivíduo), e apenas ele, que tem as respostas.” Winnicott (1971)

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