A liberdade começa quando reconhecemos o que é possível

Um dos maiores desafios do ser humano é aceitar as coisas como elas são.

Somos um povo inconformado, que sempre está em busca do novo e que sempre está em movimento. Essa característica que é tão marcante na humanidade trouxe ao humano a capacidade de evoluir física e emocionalmente, dominando a ciência e as tecnologias.

Mas, sabemos que ainda é só o começo, pois existem muitos caminhos que precisam ser percorridos e muitas descobertas que devem ser feitas.

Entretanto, como tudo na vida tem os dois lados, o fato de sermos inconformados muitas das vezes não nos permitem aceitar as coisas como elas são, causando em nós uma insatisfação que se não é bem gerenciada, pode resultar em um adoecimento psíquico.

É claro que o contexto social não nos ajuda muito. Somos a nível mundial estimulados a se “reinventar” continuamente seja na estética, na vestimenta, no comportamento ou na carreira, sem ao menos se questionar o que é e como deveria ser esse processo de reinvenção.

Essa falta de reflexão e busca por respostas em seu próprio íntimo sobre o que se deseja e pensa, faz com que o invidívuo se molde com base no modelo que foi tomado (uma ideia, pensamento, comportamento, ideologia e etc.), fortalecendo a estrutura de um falso self em sua personalidade.

Winnicott diz que

Através deste falso self o lactente (indivíduo) constrói um conjunto de relacionamentos falsos, e por meio de introjeções pode chegar até uma aparência de ser real, de modo que a criança (indivíduo) pode crescer se tornando exatamente como a mãe, ama-seca, tia, irmão ou quem quer que no momento domine o cenário (Winnicott, 1983, p.134).

E quantas não são as pessoas que vivem assim nos dias atuais? Equipes a imagem de seus líderes, cidadãos a imagem dos seus políticos, filhos a imagem dos seus pais e etc.

Podemos notar isso claramente em nossos círculos de relacionamentos, em nossos empregos e no mundo corporativo. Estão em todos os lugares, vivendo a partir de construções do meio, sem ao menos se questionarem ou terem conhecimento sobre o que são e de fato querem para si.

E será que esse inconformismo=insatisfação não é uma construção social? Por que não podemos estar satisfeitos com nós mesmos, com o nosso estilo de vida, com o que temos e etc?

Li essa frase no livro Perdas Necessárias da Judith Viorst (2005) “a liberdade começa quando reconhecemos o que é possível – e o que não é” e faz todo sentido.

Que possamos ter mais clareza sobre nós mesmos e sobre os nossos próprios limtes.

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SOBRE O AUTOR

Rodrigo Alves é Psicólogo, pós-graduado em Gestão Estratégica de Pessoas com especialização em Mercado e Negócios de Luxo, Rodrigo buscou compreender os significados ocultos do consumo e as relações de poder nas organizações, tendo publicado um artigo que posteriormente virou capítulo de um livro sobre as contribuições da psicanálise para a análise da cultura e relações de poder dentro das organizações.

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